Por indicação do Professor Cristiano Pinto Ferreira (#Advogado10x), li neste mês um livro que me fez refletir muito. Grifei frases, tive insights e, principalmente, me reconheci nas páginas.
Hoje sou gestora de uma equipe de 30 pessoas, mas nem sempre foi assim. Já fui testadora, líder de testes, analista de requisitos, analista de qualidade, programadora ColdFusion e PHP. Trabalhei com suporte e fui scrum master. Em todas essas funções, o que me alegrava era o contato com as pessoas e saber que o meu trabalho fazia diferença no dia a dia de alguém.
A gestão chegou de surpresa. Assumi uma equipe que vinha de um período desafiador, com pessoas cansadas e trabalhando de forma mais individual. Tive a liberdade de conduzir esse time do meu jeito. Minha primeira decisão foi deixar cada pessoa escolher, entre as áreas de atuação que tínhamos, aquilo que queria fazer. Eu queria que cada um tivesse vontade de levantar para trabalhar. Nas questões técnicas, tomei uma decisão parecida: deixei que eles, os especialistas, escolhessem o melhor caminho.
Foi um trabalho de formiguinha. Aos poucos, fui “remotivando” as pessoas, dando importância ao trabalho de cada uma e mostrando o quanto todos dependiam uns dos outros.
Quando li que “líderes de sucesso motivam suas equipes com histórias que narram o cenário atrás da missão, do propósito e da visão da companhia”, enxerguei a minha própria trajetória. No início da carreira, muitas vezes executei tarefas sem conhecer o propósito por trás delas. É algo comum em muitas organizações, e talvez por isso eu tenha decidido fazer diferente com a minha equipe.
O livro me mostrou o quanto um líder pode transformar a rotina de um time quando conta sua história e compartilha sua vivência. No fundo, o que as pessoas querem é ser reconhecidas, participar, crescer e fazer a diferença, seja ajudando alguém, seja criando algo.
Primeiro aprendizado: propósito gera resultado.
O trabalho de formiguinha deu frutos. A equipe passou a ser reconhecida e a entregar ainda mais do que já entregava. Como diz o livro, “quanto mais se foca algo para além do dinheiro, mais dinheiro se faz”. Quando fazemos o que gostamos, o dia passa sem a gente ver, e o retorno vira consequência.
Segundo aprendizado: equipe engajada também precisa de freio.
Muitas vezes, precisei mandar as pessoas para casa e mostrar o quanto o descanso é importante. Gente motivada tende a ultrapassar os próprios limites, e cabe ao líder perceber isso antes que vire problema.
Terceiro aprendizado: o líder também é gente.
Um dia, acordei e percebi que precisava parar para cuidar da minha saúde mental. Eu, que mandava a equipe descansar, não tinha cuidado de mim. Foi aí que entendi, na prática, um trecho do livro sobre Howard Schultz, da Starbucks: o que sempre o guiou foi o objetivo declarado de “tratar os funcionários bem e, em troca, ser recompensado com bom serviço e lealdade”.
Ainda estou afastada, cuidando de mim. Enquanto isso, a equipe segue caminhando, unida, entregando e dando o seu melhor. E toda semana recebo deles recados carinhosos e desejos de melhoras. Não existe reconhecimento maior do que esse. Para mim, é a prova de que a missão foi cumprida. Afinal, como dizia a frase que Ronald Reagan mantinha em sua mesa, “não há limite para o tanto de bem que você pode fazer, caso não se importe com quem levará o crédito”.
E o que isso tem a ver com gestão jurídica e passivo trabalhista?
Tudo. A liderança é o farol do funcionário. É por ela que ele se orienta no dia a dia, e é dela o poder de tornar esse dia a dia melhor ou pior.
Quando a liderança falha, o custo aparece: excesso de horas extras, assédio moral, adoecimento, afastamentos, rotatividade e, no fim da linha, reclamações trabalhistas. Doenças ligadas à saúde mental, por exemplo, estão entre as principais causas de afastamento no Brasil e podem gerar indenizações e condenações relevantes.
Quando a liderança acerta, acontece o contrário. O dinheiro que nem chegaria a ser reservado para um processo vira sobra, e essa sobra pode ser investida para que a empresa cresça e realize o sonho de quem a construiu.
Passivo trabalhista não nasce no tribunal. Nasce no dia a dia, na forma como as pessoas são tratadas. E a prevenção, nesse caso, começa na liderança.
Lembre-se: “a cultura de uma empresa é o alicerce para seu sucesso, e uma grande cultura é construída em cima de suas histórias.”
Qual é a história que você está contando para a sua equipe?
(Livro: “Storytelling: aprenda a contar histórias com Steve Jobs, Papa Francisco, Churchill e outras lendas da liderança”. Os trechos entre aspas foram retirados dele.)
Este texto reflete exclusivamente minha opinião e experiência pessoal, e não representa a posição da empresa em que trabalho.